segunda-feira, 10 de outubro de 2011

0067 - A HISTÓRIA (QUASE) SECRETA DO AQUECIMENTO GLOBAL - (3/3)


Caros leitores,


Este texto (completo) já foi postado neste blog (ver aqui). Devido a sua importância e ao fato de ser um texto extenso para um blog, resolvi dividi-lo em 
3 partes, com o objetivo de que ele seja lido por um maior número de pessoas.


Por Geraldo Luís Lino [*]


Texto extraído do livro "A fraude do Aquecimento Global - Como um fenômeno natural foi convertido numa falsa emergência mundial" [**], com a autorização do autor, Geraldo Luís Lino.


O caminho para Kyoto e além


A facilidade com que o Protocolo de Montreal foi aprovado emprestou um grande impulso à campanha “aquecimentista”, que entrou na década de 1990 a pleno vapor, sempre com o nosso velho conhecido Maurice Strong à frente. Outra vez, a grande oportunidade foi proporcionada pelo aparato ambientalista da ONU, onde, dividindo o tempo com os seus múltiplos afazeres privados, Strong ocupava o posto de subsecretário geral, no qual já havia sido um dos mentores dos trabalhos da Comissão Brundtland. O palco foi a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, mais conhecida como Cúpula da Terra ou, simplesmente, Rio-92, realizada no Rio de Janeiro, em junho de 1992. Além da Convenção sobre Diversidade Biológica e da Agenda 21, um enorme conjunto de diretrizes destinado a introduzir o fator ambiental em praticamente todos os ramos de atividades humanas, a conferência resultou na aprovação da Convenção Quadro de Mudanças Climáticas, que, supervisionada diretamente por Strong, seria o embrião do futuro Protocolo de Kyoto. 


Uma vez mais, ouçamos Elaine Dewar [***]“Propagandeada como A Maior Cúpula do Mundo, a conferência do Rio era publicamente descrita como uma negociação global para reconciliar a necessidade de proteção ambiental com a necessidade de crescimento econômico. Os bem informados entendiam que havia  outros objetivos, bem mais  profundos. Estes envolviam a transferência de poderes regulamentadores nacionais para vastas autoridades regionais; a abertura de todas as economias nacionais fechadas a interesses multinacionais; o reforço de estruturas de tomada de decisões muito acima e muito abaixo do alcance de democracias nacionais recém-estabelecidas; e, acima de tudo, a integração dos impérios soviético e chinês no sistema de mercado global. Eu não havia ouvido ninguém usar qualquer nome para esta agenda bastante grande, de modo que, mais tarde, eu mesmo a batizei – a Agenda de Governança Global.” 


Em outra passagem, a jornalista, que dedicou a Strong dois capítulos inteiros de seu livro, afirma: “Ao final de 1991, eu havia me tornado altamente cética sobre os motivos dos participantes do circuito (ambientalista). Eu havia chegado à conclusão de que a poluição transfronteiriça estava sendo usada como um instrumento de mercado para vender aos que ainda tinham dúvidas a necessidade de adoção de níveis de governança regionais e globais. O ‘pense globalmente, aja localmente’ era apenas outro slogan propagandístico. O público estava sendo persuadido a aceitar a proteção ambiental baseada num modelo de mercado: regulamentações seriam substituídas por leis que permitiriam a comercialização de débitos e créditos de poluição. Se os associados de Strong fossem bem sucedidos, em breve, os créditos e débitos de poluição seriam comercializados globalmente como pernis de porco e derivativos financeiros. Por volta do ano 2000, haveria poucas entidades nacionais independentes capazes de defender as comunidades locais dos leviatãs internacionais. As comunidades locais  competiriam entre si pelos favores dos grandes interesses. Aqueles de nós que vivêssemos nas  periferias brutais dessas novas potências mundiais se veriam agradecidos por comercializar com qualquer um, a qualquer preço.”


Em uma entrevista feita em 1991, um ano antes da conferência do Rio, o próprio Strong disse a Dewar: “Eu tenho dito durante anos que o mundo precisa de um sistema mundial de governança. Cada tema deveria ser trabalhado no nível em que possa ser trabalhado com efetividade... O (problema do) ozônio vem de refrigerantes. Você tem que ter um acordo global para lidar com isso, mas as ações têm que ser tomadas nacionalmente... Eventualmente, a ONU vai precisar de um acesso direto a um nível global de sistemas, não o mais poderoso, mas crescente... Nós recomendamos que haja uma espécie de imposto para lidar com as mudanças climáticas. A ONU pode não aplicá-lo. A maneira mais plausível é um governo concordar em consultas para impor o imposto nacionalmente, em uma fórmula acertada em relação ao PIB, e colocar uma parte dele em um fundo administrado pela ONU.”


No mesmo ano, Strong foi um dos idealizadores da Iniciativa de Estocolmo sobre Segurança e Governança Global, que, em abril, reuniu na capital sueca 30 personalidades políticas internacionais para elaborar esse emblemático manifesto, que ressalta a relevância dos temas ambientais para a agenda do “governo mundial”. Entre as suas propostas, destacam-se: 


“– a elaboração de um arranjo de aplicação de lei global... enfocando o papel de sanções e medidas militares; 


“– que sejam impostas taxas sobre a emissão de poluentes que afetem o meio ambiente global, em particular as emissões de dióxido de carbono da queima de combustíveis fósseis; 


“– um diálogo internacional sobre energia, que promova um uso mais eficiente dos recursos energéticos mundiais, em particular, o uso de recursos energéticos alternativos e renováveis, como a energia solar;


“– que as Nações Unidas sejam encorajadas a colocar os assuntos ambientais ao nível mais alto, em todos os foros apropriados; 


“– que as nações decidam fazer da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (no Brasil) um marco para o desenvolvimento sustentado; 


“– que líderes nacionais e culturais mobilizem o compromisso político e os meios técnicos para efetivar um avanço na limitação do crescimento populacional.”


Aí estão, sem disfarce, as intenções dessa casta de “globalistas” que pretende suplantar os Estados nacionais soberanos e impor ao mundo uma ordem malthusiana de pesadelo. Além de Strong, assinaram o documento: o então primeiro-ministro sueco Ingvar Carlsson; a novamente primeira- ministra norueguesa Gro-Harlem Brundtland; o  ex-chanceler  alemão Willy Brandt; o ex-primeiro-ministro britânico Edward Heath; o ex-chanceler soviético Eduard Shevardnadze; o então senador Fernando Henrique Cardoso; e outros.


Para promover as diretrizes da Iniciativa de Estocolmo, foi criada a Comissão de Governança Global, em cujo conselho diretor Strong permaneceu até 1996. Assim, não constituiu qualquer surpresa que Strong tenha sido o principal arquiteto do Protocolo de Kyoto, no qual as suas antigas propostas para as restrições ao uso de combustíveis fósseis via mercados foram formalmente introduzidas na agenda das relações internacionais. O tratado foi negociado em dezembro de 1997 e entrou em vigor em fevereiro de 2005, após a ratificação da Federação Russa, com a qual foi preenchida a cláusula que determinava a necessidade de os signatários responderem por pelo menos 55% das emissões anuais de gases de efeito estufa na atmosfera (além do dióxido de carbono, metano, óxido nitroso, hexafluoreto de enxofre, hidrofluorcarbonos e perfluocarbonos). Como meta geral para os países industrializados, foi prevista uma redução geral de 5,2% das emissões até 2010, sobre os níveis de 1990. 


Entretanto, as grandes dificuldades que algumas das principais economias industrializadas estão encontrando para cumprir as metas estabelecidas, além da exclusão dos EUA (que sozinhos respondem por mais de um quinto das emissões globais) e da Austrália, que não ratificaram o acordo, estão preocupando os “aquecimentistas”, que já trabalham para o cenário pós-Kyoto, em função de que as metas do tratado deverão ser revistas em 2012. Para uma sondagem das suas intenções, nada melhor do que recorrer ao próprio “Mister Carbono”, Maurice Strong. Em um artigo publicado no jornal The Globe and Mail de Toronto (“Uma super-agência?”), em 7 de março de 2007,além de reclamar da crescente resistência às metas de Kyoto no Canadá, ele fala francamente sobre o seu papel na campanha anticarbono e faz uma audaciosa proposta para o futuro. Vale a pena transcrevê-lo em certa extensão: 
   
“A pequenez com a qual a presente controvérsia sobre a resposta do Canadá às mudanças climáticas está sendo tratada não é nada para se orgulhar.
  
 “Como alguém cujo papel na colocação do tema das mudanças climáticas na agenda pública está sendo alvo de críticas, me apresso em confessá-lo. Como o primeiro diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, eu convoquei uma reunião de especialistas em mudanças climáticas há mais de 30 anos atrás. Em 1992, eu encabecei a Cúpula da Terra, que produziu a Convenção sobre Mudanças Climáticas, e estive envolvido em Kyoto, quando foi acertado o contencioso protocolo das metas. (...)
   
“Kyoto foi uma primeira etapa essencial, mas bastante modesta, para se lidar com essa crise, mas ela foi severamente enfraquecida pela retirada dos EUA, a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa, e pela retirada de outros, inclusive, lamentavelmente,o Canadá. (...)
   
“Seria ilusório pensar que o Canadá pode ir adiante sozinho. De fato, o tipo de ações radicais agora requeridas só poderá ser efetivo se elas forem tomadas por meio de uma cooperação internacional numa escala sem precedentes na nossa experiência. Não devemos nos deixar iludir pelos negadores que defendem que a ação deve esperar pela certeza científica, que será uma carga
muito grande para a economia, o que significa os seus próprios interesses especiais (sic). (...)
   
“Não existe uma resposta rápida ou fácil. Entretanto, os meios para efetuar as mudanças fundamentais necessárias para colocar as emissões de gases de efeito estufa em níveis seguros envolvem tecnologias que já estão disponíveis ou ao alcance. Mais e mais corporações têm demonstrado que, longe de ser uma ameaça para a economia, essas medidas proporcionam uma nova geração de oportunidades econômicas... O que se necessitam são mudanças na nossa cultura, nas nossas atitudes e no sistema de incentivos e penalidades às quais os indivíduos e corporações respondem. (...)


“Já está claro que o Canadá, como vários outros países, não cumprirá as suas metas de Kyoto. Isto não pode ser usado como pretexto para abandonar Kyoto. Com todas as suas imperfeições, é muito melhor usá-lo como base para negociar um novo acordo quando as metas existentes expirarem, em 2012. É claro que a China, Índia e outros países em rápido desenvolvimento, que agora respondem pela maioria dos aumentos das emissões de gases de efeito estufa, precisarão participar. (...)
   
“Eu proponho que seja estabelecido um novo tipo de   comissão – uma Comissão Climática Mundial. Ela seria de natureza permanente, ao  contrário das comissões anteriores que tratavam de assuntos mais limitados e eram desfeitas depois de apresentar os seus relatórios.
   
“A comissão seria delegada pelas Nações Unidas e seria autônoma em suas operações. Ela se basearia e reforçaria os esforços e delegações de outras organizações, especialmente, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, como fonte primária de assessoria científica, o PNUMA, a Organização Meteorológica Mundial e o secretariado da ONU que atende à Convenção sobre Mudanças Climáticas. Ela procuraria e responderia à assessoria de outras organizações e atores, proporcionando os canais por meio dos quais estes poderiam contribuir para o tipo de ações concertadas e enfocadas que são essenciais e para as quais nenhum órgão individual é hoje responsável. Ela monitoraria todas as atividades envolvendo as mudanças climáticas e se reportaria aos governos e à ONU, avaliando os progressos e os desempenhos de todos os atores, provendo recomendações específicas que, espera-se, tenham uma influência significativa na opinião pública e nas ações de governos, indústria e outros.”


Se o leitor ficou com uma impressão de dejà vu, não está equivocado. Portanto, preparemo-nos para os próximos capítulos.


Geraldo Luís Lino, 2009.


[*] Geraldo Luís Lino é Geólogo, Diretor do Movimento de Solidariedade Ibero-Americana, ex-consultor ambiental e autor do livro "A Fraude do Aquecimento Global : Como um fenômeno natural foi convertido numa falsa emergência mundial."
[**] - "A Fraude do Aquecimento Global : Como um fenômeno natural foi convertido numa falsa emergência mundial". Autor: Geraldo Luís Lino. Editora Capax Dei (ver aqui).
[***] - "Uma demão de verde: os laços entre grupos ambientais, governos e grandes negócios". Autora: Elaine Dewar. Editora Capax Dei (ver aqui).


A história (quase) secreta do...(1/3), ver aqui.
A história (quase) secreta do...(2/3), ver aqui.




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